Este blog é uma página pessoal de caráter amador criado na Imperosa city, no estado do Maranhão. Imagens, textos (ir) relevantes, amenidades e outros quetais Serão rejeitadas mensagens que desrespeitem a lei, apresentem linguagem ou material obsceno ou ofensivo, sejam de origem duvidosa, tenham finalidade comercial ou não se enquadrem no conceito do blog. De resto, seja bem vindo, volte sempre e entre sem bater.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Uma croniqueta do Millôr de 2007
Não se preocupe, ela continua atualíssima, os assuntos parecem de hoje e Millôr é sempre genial.
NESTE INICIO DO MUNDO
E aqui estamos naquilo que há poucos dias desejávamos a todos os nossos parentes próximos, remotos, amigos e afins:
Um feliz 2007!
Pois é, estamos nele.
Já entramos no "ano entrante". Cinco dias adentro. Talvez sejamos apressados, mas já podemos fazer um pequeno balanço. Pra você, que vê todos os dias os jornais da televisão, o ano vai mal: assaltos, assassinatos, morticínios, carnificina mesmo, ônibus queimados, enchentes, aumentos gigantes do salário mínimo, vulcões, revoluções. Parece até 2006.
Mas por que sofrer com a vida coletiva, deixar que o Iraque te afete, que a Faixa de Gaza te entristeça, que a menina caída num poço em Taiwan te perturbe, estrague teu dia? Já não estraga o deles, pô?
Não, não é preciso esquecer o mundo. Já já eles te chamam de alienado. Mas é melhor desligar a televisão, se afastar do Jornal Nacional.
Você e eu, como a maior parte da humanidade, temos uma vida particular e devemos zelar por ela. Acordamos e a cabeça não dói. O telefone toca e não é o anúncio de nenhuma catástrofe pessoal.
Bem, são seis horas da manhã, hora oficial, cinco das horas antigas, aquelas de Greenwich. Antes que o mundo aflito me aflija, abro a minha janela sobre o mar. O sol, no Arpoador, começa a tingir o céu de vermelho, enquanto as montanhas no outro extremo mal surgem da escuridão. Há ilhas renascendo, há transatlânticos de luxo passando em sua calma soberba e traineiras balançando na faina de pescadores.
Tenho que prestar atenção pra não aceitar como rotina esse extraordinário espetáculo de todos os dias.
Mas o espetáculo de hoje supera todos os outros. As gaivotas, que desde que o mundo é mundo voam por aqui, continuam voando, longe das notícias. Há quinhentos anos os portugueses já notavam a ação poética dessas aves, cagando seu cálcio branco sobre uma das ilhas, e, sem medo das palavras, chamaram-na de Cagadas (está nos mapas). Que, 100 anos depois, o medo das palavras transformou em Cagarras.
Mas hoje, pela primeira vez em muitos anos de minha visão desta paisagem, pra começar esplendidamente o meu 2007, as gaivotas não voam em fila, nem em V, como sempre. Cada uma faz seu vôo solo, individual. Vêm brotando – a princípio invisíveis – do escuro das montanhas e enchem literalmente o espaço, quase um tapete, cobrindo todo o céu à minha frente.
Demais!
Mas não há de ser nada. No fim o bandido morre. Aliás, o mocinho também, toda a platéia e até a bilheteira mirrada, mas bonitinha que, por tão jovem pensa ser eterna.
NESTE INICIO DO MUNDO
E aqui estamos naquilo que há poucos dias desejávamos a todos os nossos parentes próximos, remotos, amigos e afins:
Um feliz 2007!
Pois é, estamos nele.
Já entramos no "ano entrante". Cinco dias adentro. Talvez sejamos apressados, mas já podemos fazer um pequeno balanço. Pra você, que vê todos os dias os jornais da televisão, o ano vai mal: assaltos, assassinatos, morticínios, carnificina mesmo, ônibus queimados, enchentes, aumentos gigantes do salário mínimo, vulcões, revoluções. Parece até 2006.
Mas por que sofrer com a vida coletiva, deixar que o Iraque te afete, que a Faixa de Gaza te entristeça, que a menina caída num poço em Taiwan te perturbe, estrague teu dia? Já não estraga o deles, pô?
Não, não é preciso esquecer o mundo. Já já eles te chamam de alienado. Mas é melhor desligar a televisão, se afastar do Jornal Nacional.
Você e eu, como a maior parte da humanidade, temos uma vida particular e devemos zelar por ela. Acordamos e a cabeça não dói. O telefone toca e não é o anúncio de nenhuma catástrofe pessoal.
Bem, são seis horas da manhã, hora oficial, cinco das horas antigas, aquelas de Greenwich. Antes que o mundo aflito me aflija, abro a minha janela sobre o mar. O sol, no Arpoador, começa a tingir o céu de vermelho, enquanto as montanhas no outro extremo mal surgem da escuridão. Há ilhas renascendo, há transatlânticos de luxo passando em sua calma soberba e traineiras balançando na faina de pescadores.
Tenho que prestar atenção pra não aceitar como rotina esse extraordinário espetáculo de todos os dias.
Mas o espetáculo de hoje supera todos os outros. As gaivotas, que desde que o mundo é mundo voam por aqui, continuam voando, longe das notícias. Há quinhentos anos os portugueses já notavam a ação poética dessas aves, cagando seu cálcio branco sobre uma das ilhas, e, sem medo das palavras, chamaram-na de Cagadas (está nos mapas). Que, 100 anos depois, o medo das palavras transformou em Cagarras.
Mas hoje, pela primeira vez em muitos anos de minha visão desta paisagem, pra começar esplendidamente o meu 2007, as gaivotas não voam em fila, nem em V, como sempre. Cada uma faz seu vôo solo, individual. Vêm brotando – a princípio invisíveis – do escuro das montanhas e enchem literalmente o espaço, quase um tapete, cobrindo todo o céu à minha frente.
Demais!
Mas não há de ser nada. No fim o bandido morre. Aliás, o mocinho também, toda a platéia e até a bilheteira mirrada, mas bonitinha que, por tão jovem pensa ser eterna.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Homenagem ao Cap. Amaro Fenandes em crônica primorosa
Todos os céus eram de brigadeiro! *
* Por Ten Eveline Rotter, Oficial de Comunicação Social da Esquadrilha da Fumaça; e Vinícius Rosada Dônola, Fumaça Honorário.
Não havia tempo ruim para o nosso amigo Anderson Amaro. Todos os dias eram de sol. O eterno sorriso estampado na face nos fazia acreditar que, em seu dicionário pessoal, a palavra “problema” não existia. Para ele, apesar do humor nem sempre constante das nuvens, não havia “mau tempo”.
Ainda que o passar dos anos o tenha talhado para a liderança, Anderson Amaro se mantinha humilde. Por vezes, humilde ao extremo. Obstinado ao extremo. Anderson Amaro Fernandes.
No dicionário de Anderson, também não havia a palavra “não”. Ao longo dos últimos quatro anos, distribuiu ao público sorrisos e paciência. Dava autógrafos, posava para fotos e respondia às inúmeras perguntas com a simplicidade de um menino. Nosso menino Capitão...
Encantadoramente paradoxal em sua essência, Anderson Amaro tinha, sim, o coração inocente num corpanzil de guerreiro. Lutou como poucos pelas próprias vontades e teve coragem para enfrentar as adversidades muitas. Ora se viu obrigado a voar solo; ora voou com a ajuda dos amigos – incontáveis - que soube arrebanhar pelas rota da vida. Era, pois, a referência do lar e dos muitos que deixou na terra natal, Fortaleza, no Ceará, para quem o oficial foi – e é - exemplo de coragem.
Anderson Amaro também deixa um currículo que, à primeira vista, se assemelha ao de muitos outros profissionais da Forca Aérea Brasileira. Mas cada um de nós risca o céu com sua história... E assim ele o fez. Deixou no ar um rastro marcado por sucessivos episódios de superação pessoal, antes mesmo de ingressar na EPCAR. Em pleno teste físico, durante o processo de seleção, o menino candidato se recuperava de uma cirurgia. Sofreu calado a dor e a expectativa. Ambas foram vencidas com o braço forte da superação.
Depois da EPCAR, passou pelas Bases Aéreas de Natal, de Santa Cruz, até a chegada à Academia da Força Aérea, em Pirassununga, onde, reconhecendo suas limitações e habilidades, soube se doar pelo grupo, com o grupo, nos interesses do grupo.
No currículo, Anderson também contabilizou exatas 3.800 horas e 40 minutos de voo e 186 demonstrações na Esquadrilha da Fumaça, das quais 179 como número 2 e 7 como número 7. Apenas Anderson, porém, sabia o significado de cada uma dessas marcas operacionais. Muitas dessas horas foram dedicadas a instruir o futuro da Força: os cadetes da Academia. Outras tantas foram colecionadas com esforço em missões de treinamento para, rapidamente, juntar as horas necessárias e se submeter ao Conselho Operacional do Esquadrão de Demonstração Aérea. As demais, acumuladas com imenso prazer, colaborando no cumprimento da missão da Esquadrilha da Fumaça do Brasil. Em seu último ano de Esquadrilha, ocupou a posição designada aos pilotos mais experientes, voando como solo no número 7.
Costumava dizer que o Tucano era a sua casa. E, como que prevendo o que viria a ocorrer, sempre preparou os familiares. Dizia reiteradas vezes que, se algum imprevisto acontecesse, que não se preocupassem. Ele estaria feliz.
Anderson nasceu para voar. E, queira Deus, continue voando com suas próprias asas, no mesmo céu que fez a felicidade do menino Capitão.
A Esquadrilha da Fumaça continua as suas atividades, com a lembrança de um sorriso estampado na face. Persistimos em levar alegria, com a certeza de que essa é a vontade do Capitão Anderson Amaro Fernandes.
Que, do azul celestial, ele guie nossos voos.
E que os nossos céus continuem sendo de brigadeiro.
* Por Ten Eveline Rotter, Oficial de Comunicação Social da Esquadrilha da Fumaça; e Vinícius Rosada Dônola, Fumaça Honorário.
Não havia tempo ruim para o nosso amigo Anderson Amaro. Todos os dias eram de sol. O eterno sorriso estampado na face nos fazia acreditar que, em seu dicionário pessoal, a palavra “problema” não existia. Para ele, apesar do humor nem sempre constante das nuvens, não havia “mau tempo”.
Ainda que o passar dos anos o tenha talhado para a liderança, Anderson Amaro se mantinha humilde. Por vezes, humilde ao extremo. Obstinado ao extremo. Anderson Amaro Fernandes.
No dicionário de Anderson, também não havia a palavra “não”. Ao longo dos últimos quatro anos, distribuiu ao público sorrisos e paciência. Dava autógrafos, posava para fotos e respondia às inúmeras perguntas com a simplicidade de um menino. Nosso menino Capitão...
Encantadoramente paradoxal em sua essência, Anderson Amaro tinha, sim, o coração inocente num corpanzil de guerreiro. Lutou como poucos pelas próprias vontades e teve coragem para enfrentar as adversidades muitas. Ora se viu obrigado a voar solo; ora voou com a ajuda dos amigos – incontáveis - que soube arrebanhar pelas rota da vida. Era, pois, a referência do lar e dos muitos que deixou na terra natal, Fortaleza, no Ceará, para quem o oficial foi – e é - exemplo de coragem.
Anderson Amaro também deixa um currículo que, à primeira vista, se assemelha ao de muitos outros profissionais da Forca Aérea Brasileira. Mas cada um de nós risca o céu com sua história... E assim ele o fez. Deixou no ar um rastro marcado por sucessivos episódios de superação pessoal, antes mesmo de ingressar na EPCAR. Em pleno teste físico, durante o processo de seleção, o menino candidato se recuperava de uma cirurgia. Sofreu calado a dor e a expectativa. Ambas foram vencidas com o braço forte da superação.
Depois da EPCAR, passou pelas Bases Aéreas de Natal, de Santa Cruz, até a chegada à Academia da Força Aérea, em Pirassununga, onde, reconhecendo suas limitações e habilidades, soube se doar pelo grupo, com o grupo, nos interesses do grupo.
No currículo, Anderson também contabilizou exatas 3.800 horas e 40 minutos de voo e 186 demonstrações na Esquadrilha da Fumaça, das quais 179 como número 2 e 7 como número 7. Apenas Anderson, porém, sabia o significado de cada uma dessas marcas operacionais. Muitas dessas horas foram dedicadas a instruir o futuro da Força: os cadetes da Academia. Outras tantas foram colecionadas com esforço em missões de treinamento para, rapidamente, juntar as horas necessárias e se submeter ao Conselho Operacional do Esquadrão de Demonstração Aérea. As demais, acumuladas com imenso prazer, colaborando no cumprimento da missão da Esquadrilha da Fumaça do Brasil. Em seu último ano de Esquadrilha, ocupou a posição designada aos pilotos mais experientes, voando como solo no número 7.
Costumava dizer que o Tucano era a sua casa. E, como que prevendo o que viria a ocorrer, sempre preparou os familiares. Dizia reiteradas vezes que, se algum imprevisto acontecesse, que não se preocupassem. Ele estaria feliz.
Anderson nasceu para voar. E, queira Deus, continue voando com suas próprias asas, no mesmo céu que fez a felicidade do menino Capitão.
A Esquadrilha da Fumaça continua as suas atividades, com a lembrança de um sorriso estampado na face. Persistimos em levar alegria, com a certeza de que essa é a vontade do Capitão Anderson Amaro Fernandes.
Que, do azul celestial, ele guie nossos voos.
E que os nossos céus continuem sendo de brigadeiro.
Capitão Anderson Amaro Fernandes - Esquadrilha da Fumaça

1º Ten Av ANDERSON AMARO Fernandes
Ala Direita
3650 horas de vôo
180 demonstrações
Piloto de Ataque
Nascido em Fortaleza-CE no dia 20 de abril de 1976, ingressou na Força Aérea em 1996, na EPCAR, sendo declarado Aspirante-a-Oficial em 2000. Realizou os seguintes cursos: Ala da Aviação de Ataque, Instrutor de Vôo, Tráfego Aéreo Internacional e Líder de Esquadrilha na aeronave T-27.
Em 2001 foi para o CATRE, em Natal-RN. Prosseguiu em 2002 para a 2ª ELO na BASC, onde permaneceu até 2003. Retornou para a Academia em 2004, onde desempenhou as seguintes funções: Auxiliar do Operações de Esquadrilha e Chefe da Ajudância do 1º EIA, Operações e Comandante de Esquadrilha no 1° EIA. Atualmente é o Chefe da Subseção de Patrimônio.
Aeronaves voadas: TZ-13, T-25 e T-27.
Falecido em 03/04/2010, em Lajes - SC em colisão com o solo.
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