terça-feira, 5 de maio de 2009

Camisinha sempre!

PAPO PAPAL

Paixões. Impulsos. Mulheres.
Na vida, são grandes as tentações de um homem.
Fernández Moros era um importante político latino-americano.
--Libertad para el pueblo. Luchando siempre.
Era conhecido seu interesse pelos movimentos de base.
Desde os tempos em que Fernández era bispo na região de Cochabamba.
Depois, a política. O governo. As responsabilidades de Estado.
Em seguida, os escândalos. Filhos. Crianças. Bebês.
--Papá. Papá. Padrecito.
Durante a vida eclesiástica, Fernández se dedicara ao amor.
--Solamente una vez... la noche en que me quieras...
Agora, o remorso. A angústia. A crise de consciência.
--Esta noche me emborracho.
Juntou uísque e muita oração. Fechou os olhos.
Uma visão severa surgiu à sua frente. A mitra. O báculo. A batina branca.
Os sapatinhos vermelhos. Era o Papa Bento 16. Com um único conselho.
--Ferrnántêss. Sua pêsta qvadrrado... Téin te uzarre o kamitsínia. Si non, dá probrrema.
Certas conclusões são como filhos. Só aparecem depois de muito tempo.

Gilmar vs Barbosa

MODOS XUCROS

Equilíbrio. Serenidade. Moderação.
É isso o que deve prevalecer nos tribunais.
Na Alta Corte de Apelações, o clima era tenso.
No banco dos réus, o famoso e desonesto banqueiro Ruizito Valadares.
Os juízes divergiam no caso. O debate foi ficando sério.
--Vossa Excelência... é uma cavalgadura togada.
--Me respeite. Fartei-me de seus modos jagunços, Excelência.
Um terceiro juiz tentou acalmar os ânimos.
--Arrém. Arrém. Encerremos a sessão...
--Assim que me pedirem desculpas.
--Não se desculpam os chorrilhos dos mais xucros.
--Não será Vossa Excelência quem me dará lições de montaria.
--O que disse? O que disse?
Togas se agitaram. Punhos se fecharam. Microfones levaram sopapos.
Quando a sessão foi encerrada, já era tarde demais.
O banqueiro Ruizito Valadares escapara por uma porta lateral.
E já está em Miami. Com passagem paga pelo Congresso.
A Justiça é cega. Mas, por vezes, também deveria ficar surda e muda.


Trem da vida

NO FIM DO TÚNEL

Violência. Desrespeito. Agressão.
No Rio de Janeiro, passageiros de trem são vítimas da barbárie.
Seguranças dão pontapés. Murros. Chicotadas.
O clima estava tenso na estação. Muita gente disposta ao quebra-quebra.
Rojões e armas leves estavam nas mãos de alguns usuários do serviço.
--Bateu, levou.
Quem dizia isso era o Salviano.
Rapaz do morro. Consciente de seus direitos e de sua dignidade.
O segurança Brandão tinha pouca paciência com esse tipo de conversa.
--Couro no lombo desses baderneiros. E é pra já.
O enfrentamento ia acontecer. Mas naquele momento fez-se um estranho silêncio na estação. Um homem alto apareceu lentamente. No fim do túnel.
Roupa branca. Barba espessa. No pescoço, o nó de uma grossa corda.
--Tiradentes? Será possível?
--Mais vidas eu tivesse... mais vidas eu daria....
Brandão largou o chicotinho. Salviano cantou o hino nacional.
E soltou o rojão em homenagem aos mártires do povo.
Um trem de subúrbio é como corda de enforcado. O aperto não traz bons resultados.

Gripe suína

VINGANÇA SEM PALAVRAS

Medo. Pânico. Precaução.
A gripe suína tira o sono dos brasileiros.
Ademar curtia uma feijoada.
--E aí? Será que eu posso comer?
A mulher dele se chamava Edite e fez cara de desprezo.
--Você é burro mesmo, hein.
Já está esclarecido: a gripe se transmite pela tosse. Pela saliva. Pelo espirro.
Mas não pela lingüiça. Pela carne-seca. Pelo torresmo.
Sabadão. Ademar saiu com os amigos.
A feijoada foi até as oito da noite.
O obeso pai de família desabou na cama da suíte.
A mulher foi se deitar no horário de sempre.
A cerveja. O feijão. A caipirinha.
Os roncos de Ademar tinham alcance quilométrico.
--Acorda. Seu porco. Seu suíno.
Da boca aberta do marido, micróbios saíram numa vingança sem palavras.
Edite foi internada com gripe forte. Estado de observação.
Vacinas previnem a gripe. Mas não há cura para a falta de amor.

Outras culturas


Abuso. Irregularidade. Sem-vergonhice.
A farra das passagens aéreas corre solta no Congresso.
O famoso deputado Propício de Albuquerque estava preocupado.
--Essa mamata vai acabar.
Protestos. Denúncias. Notícias.
--Temos de aproveitar antes que seja tarde.
Reuniu a parentada em sua mansão no Lago Norte.
--Façam seus pedidos. Para onde vocês querem viajar?
Num bloquinho, ele anotava tudo.
--Cinco passagens para Miami... Paris, onze...
O sobrinho adolescente de Propício era criador de caso.
--Calma aí. A vovó já foi cinco vezes para Miami. E eu não fui nenhuma.
--Cala a boca, moleque.
--Injustiça, pô. Na minha idade, preciso conhecer outras culturas.
Propício fez anotações em silêncio. Dias depois, tudo estava resolvido.
O sobrinho ganhou passagem de primeira classe. Para o México.
Lugar de muita cultura. E onde uma epidemia de gripe elimina os mais fracos.
Mas quem vive no mar de lama não teme enfermidades suínas.

A Rejane, o Carlos e o Ronaldo

Enfim, Lula vem ao Maranhão!

Finalmente autorizado, Lula desembarca em solo maranhense.
Como as coisas mudam, não?
É impressão minha ou a ausência da companheirada é proposital?
Ou será que os petistas maranhenses foram impedidos também de se aproximar do "companheiro"?